Hélvio Guerra, Secretário-adjunto de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia

Cada vez mais países pensam e buscam um desenvolvimento sustentável para o mundo, e no Brasil não está sendo diferente. Atualmente, as fontes renováveis correspondem a 43,2% da matriz energética nacional. E a expectativa é que esse número aumente para 47,5% em 2027. Essa previsão está estabelecida no Plano Decenal de Expansão (PDE), estudo do Governo Federal em que são apresentados os números e estimativas para o período de dez anos, de 2018 a 2027. E quando se analisa a matriz elétrica, as fontes renováveis são ainda mais presentes. Hoje, elas são equivalentes a 80,4% e devem crescer para 86,5% em 2027.

O planejamento, que olha para 2027, se torna essencial para o País criar alternativas ainda menos fósseis e, consequentemente, menos prejudiciais ao meio ambiente. “O Brasil tem uma matriz limpa. Hoje, o País tem 80% de renováveis na matriz elétrica, sendo a maior parte, cerca de 63%, da fonte hidrelétrica, cerca de 10% da eólica, mais 10% de biomassa e um percentual pequeno de solar”, informou o secretário-adjunto de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Hélvio Guerra.

De acordo com o superintendente corporativo de Relações Institucionais e Governamentais da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), João Paulo Rodrigues, a tendência mundial é usar fontes limpas. “O Brasil já tem uma matriz elétrica predominantemente renovável e busca cada vez mais aumentar sua participação. Para se ter uma ideia, 88% da matriz energética do grupo Neoenergia é limpa. Esse é um caminho importante para o meio ambiente”, disse Rodrigues. Representantes do setor afirmam que, nesse contexto, a biomassa tem uma presença importante na matriz elétrica brasileira. “Ela é extremamente importante para o Brasil, seja em termos de energia elétrica, calor, cocção”, ressaltou Guerra. Segundo o Ministério de Minas e Energia, compõem a biomassa o bagaço e a palha da cana, os resíduos de madeira da produção de celulose, o biogás, a casca de arroz, dentre outros pouco significativos. De acordo com Luiz Otávio Koblitz, da Koblitz Energia, a representação da biomassa é grande. “Quando a gente olha a energia como um todo, a elétrica representa 19% e o restante, 81%. A biomassa sozinha fez no ano passado 31,14% da energia do Brasil. Ou seja, a biomassa é maior que o setor elétrico, apesar de estar inserida nele. Acho que essa fonte tinha que ser vista com mais afinco”, defendeu Koblitz.

Outro ponto de destaque é a energia eólica. Hoje, sua representação na matriz elétrica está em torno de 10%. E a previsão é que em 2027, ela deva chegar de 14% a 15%. “A fonte eólica cresceu muito, principalmente nas áreas que têm mais ventos. Então o Nordeste é uma espécie de celeiro das eólicas porque tem um potencial bom para vento. E ela está em evolução tecnologicamente, hoje temos turbinas menores que geram muito mais”, explicou Guerra.

No entanto, a eólica tem um problema: a sua intermitência. Ou seja, a fonte gera energia quando tem vento, mas o consumo continua existindo e é preciso uma fonte para substituir. “Quem está substituindo hoje é muito mais a termelétrica do que a hidrelétrica. Isso porque a termelétrica tem combustível na hora que precisar, seja gás natural, óleo. E para a hidrelétrica existe uma prevenção na utilização de grandes reservatórios de água. Então essa é uma questão que precisa ser estudada para o futuro”, explicou Guerra.