Foto: Tom Cabral/Grupo Moura/Divulgação Focado em aumentar sua presença no Cone Sul, o Grupo praticamente ignorou a crise dos últimos anos e inaugurou em agosto sua nova planta, num projeto de tecnologia de ponta e sustentável

O sonho do engenheiro pernambucano Edson Mororó Moura foi muito além de construir uma fábrica de baterias em Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco, há 60 anos. No lugar, só havia um carro, quase nada de água e pouca gente tinha noção do que era uma indústria. Mas dali surgiria a maior fábrica de baterias da América do Sul e que, depois de vários prêmios e certificações, foi reconhecida pela pesquisa Balanço Empresarial 2018 como uma das empresas do ano de 2017, isso porque obteve resultados positivos nos cinco principais indicadores da pesquisa, realizada pela consultoria JBG&Calado, do Recife.

Em comparação a 2016, no ano passado a Moura teve crescimento no Ativo (14,48%); na Receita Líquida (18.35%) e no Lucro Líquido 4,47%, uma Rentabilidade do Patrimônio Líquido de 24% e uma Margem Líquida de 26%. “O balanço, os números, refletem as decisões e ações que a empresa executa. Vemos um grande trabalho de gestão na Moura”, observa José Emílio Calado, responsável pela pesquisa.

Gente da Moura

De fato, a empresa adota um modelo de gestão próprio, que vem consolidando seu crescimento, com governança corporativa e, de acordo com o co-presidente da Moura, Paulo Sales, é fundamental para o contínuo crescimento e melhoria dos resultados da empresa. “Numa análise de mercado, os resultados registrados em 2017 estão relacionados ao crescimento nos mercados de reposição e à recuperação na produção de veículos no Mercosul. Ao mesmo tempo, a companhia deu continuidade ao seu plano de investimentos, com a implementação de uma nova unidade fabril em Belo Jardim”, afirma.

Focada em expandir o crescimento no mercado do Cone Sul, o Grupo Moura praticamente ignorou a crise dos últimos anos que le-vou o país à recessão e seguiu seu planejamento estratégico. Reuniu recursos junto ao BNDES, ao BNB e à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para um investimento de R$ 170 milhões na nova planta. Inaugurada no final de agosto, ela reúne as principais linhas de produção num projeto atualizado em tecnologia e ambientalmente sustentável que, no pico de produção, poderá dobrar o volume anual que hoje é de 10 milhões de acumuladores de energia.

Nova planta já foi inaugurada

Projetada para produzir todo o portfólio de baterias Moura - de pequenas automotivas de 40 Ampère/hora, até as de caminhões e a Moura Clean, voltada para telecomunicações, de 220 Ampère/hora - a fábrica é flexível e tem a premissa de ser a catalisadora da redistribuição do mix de produção de todas as unidades do Brasil e da Argentina do Grupo Moura.

“Inicialmente, por uma decisão estratégica, a nova fábrica estará focada na produção de baterias pesadas, pois foi a solução mais estratégica para atender à demanda atual do mercado”, revela o co-presidente Sérgio Moura. Segundo ele, o know-how de gestão da companhia permite oferecer ao mercado o que há de mais moderno em instalações e processos. “Adotamos um padrão de excelência mundial que já começa a atrair pedidos de intercâmbio de conhecimentos e formação de parcerias em tecnologia industrial”, afirma.

“Estruturamos uma combinação de planejamento de longo prazo, disciplina para sua implementação, foco nos ganhos de produtividade industriais e administrativos e o fortalecimento e desenvolvimento de novas tecnologias. Tudo regido por um robusto Modelo de Gestão, fundamental para o contínuo crescimento e melhoria dos resultados da empresa”, completa Paulo Sales, salientando a importância dos funcionários para potencializar todo o trabalho. “São pessoas persistentes, talentosas e detentoras do espírito de que são donas do negócio e que formam o principal diferencial competitivo do Grupo Moura”, descreve.

Este espírito de liderança, de dono, presente no DNA da Moura, é uma herança do fundador, Edson Mororó Moura que, provavelmente, não imaginava o quanto iria energizar pessoas a seguir seu sonho e ir tão longe. Com seis mil funcionários, distribuídos em sete plantas industriais - uma delas na Argentina e outra em São Paulo - e escritório sede no Recife, em Pernambuco, a companhia estruturou sua governança corporativa em 2009, sob o comando da segunda geração da família Mororó Moura.

Ao longo do tempo, o Grupo Moura desenvolveu o Sistema Moura de Gestão (SMG) que segue um conjunto de boas práticas que norteiam a atuação de cada um dos seus colaboradores, e que criaram a Cultura Empresarial Moura (CEM). O SMG tem como base o método PDCA - sigla do inglês

Plan, Do, Check e Act ou Adjust que se traduz em Planejar, Executar, Verificar e Agir. De acordo com Sérgio Moura, inserido nos níveis estratégico, tático e operacional, por meio do Planejamento Estratégico, Gerenciamento pelas Diretrizes e Gerenciamento da Rotina, o método se torna uma ferramenta sólida para o alcance de metas e patamares superiores para o resultado do negócio.

“A nossa cultura e o SMG são os dois dos maiores patrimônios da companhia, diretamente responsáveis por levar o Grupo Moura a alcançar os resultados na geração de desenvolvimento econômico, criação de novas oportunidades pessoais e profissionais e contribuição ativa para redução nas desigualdades sociais do País. Em 60 anos de atuação somos uma referência nacional de empresa familiar bem sucedida, com gestão de resultados e sucessão planejada”, afirma.

Mas a base para o gerencialmento ficou na memória de funcionários mais antigos, alguns com três décadas de casa, que conviveram com o casal de fundadores e guardaram as lições diárias de persistência, da capacidade de inovação e da força de vontade dos visionários Edson Mororó Moura e Maria da Conceição Moura. “Eles nos inspiram até hoje. Essas virtudes e espírito empreendedor foram amplificados pelo SMG e hoje orientam a atuação de nossos colaboradores”, afirma o presidente do Conselho de Administração do Grupo Moura, Édson Viana Moura.

Moacy Freitas é diretor de Pessoas da Moura Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco
Grupo Moura: presidente do Conselho de Gestão, Edson Viana Moura (E), e os copresidentes Sérgio Moura (C) e Paulo Sales (D) Foto: Tom Cabral/Grupo Moura/Divulgação
Sede das baterias Moura Foto: Tom Cabral/Grupo Moura/Divulgação
Fábrica de baterias automotivas da Moura Foto: Tom Cabral/Grupo Moura/Divulgação